Vinte anos de Seul
Meus caros amigos,
Para o movimento paraolimpico brasileiro o ano de 2008 representa um marco histórico que merece e precisa ser comemorado. Foram nos Jogos Paraolimpicos de Seul em 1988, há exatos 20 anos, que tivemos a primeira participação brasileira com uma delegação única representando esse segmento esportivo do nosso país. Os atletas, técnicos e dirigentes que tiveram a honra e a felicidade de viver essa emoção sabem que muito do que conseguiu em 1988 somente foi possível pela visão de uma jovem que abraçava com muita garra a defesa dos direitos das pessoas portadoras de deficiência. TERESA COSTA D’AMARAL, a época Coordenadora da CORDE, acreditou no projeto que lhe foi apresentado, deu forças ao mesmo e conseguiu com o grande prestígio e o apoio que desfrutava junto ao Governo Sarney contribuir de forma decisiva no desafio de levar a equipe brasileira a Seul.
Lembro com emoção quando no dia 11 de agosto de 1988, em cerimônia memorável e bastante concorrida realizada no Salão Nobre do Palácio do Itamaraty no Rio de Janeiro, apresentamos o projeto de participação brasileira para autoridades, esportistas famosos, empresas e para a imprensa especializada. Nesse dia também lançamos oficialmente o projeto de constituição do Comitê Paraolimpico Brasileiro que, sete anos após, em 1995 viria a ser oficialmente fundado. A repercussão da festa ficou gravada na memória de todos aqueles que lá estiveram. Foi gratificante ver nossos para-atletas sendo homenageados por grandes astros do esporte nacional, muitos deles se preparando para irem aos Jogos Olímpicos de Seul, que estiveram conosco. Presentes, entre outros, ANA RICHA do Voleibol, ROBSON CAETANO do Atletismo, MAGIC PAULA do Basquetebol, ROBERTO DINAMITE, ídolo do futebol, nosso querido e saudoso JOÃO CARLOS DE OLIVEIRA, JOÃO DO PULO. Com alegria relembro ainda a edição nº. 01 da revista TOQUE A TOQUE editada pela ABRADECAR que publicou belíssima matéria com fotos da grande festa.
Esse impulso dado ao movimento somado aos bons resultados alcançados por nossa equipe em Seul ajudou a ficar menos difícil a continuidade do projeto paraolimpico brasileiro. Entre as boas conseqüências desse trabalho inicial apoiado pela CORDE na figura impar de sua coordenadora Teresa Amaral, conseguimos, entre outras coisas, na proposta de criação SEDES/PR - Secretaria de Desportos da Presidência da República em 1990, que fosse inserido em sua estrutura o DEPED - Departamento de Desportos para Pessoas Portadoras de Deficiência, que tive o orgulho e o privilégio de ser o Diretor.
Com a ajuda dos Secretários ZICO e depois BERNARD, pudemos repetir o trabalho para os Jogos de Barcelona em 1992 e deixar ainda mais sedimentado o caminho para a criação formal do CPB.
Muitas outras pessoas foram e continuam sendo importantes nessa história. Gostaria de homenagear a todos citando apenas o nome de um que não podemos, em nenhum momento por questão de justiça e decência, esquecer do que representou a sua inestimável colaboração: JOSÉ GOMES BLANCO. Amigo, parceiro, bravo guerreiro da nossa causa que a sua memória seja perpetuada no movimento paraolimpico brasileiro.
Certamente podemos dizer que hoje a situação é muito melhor do que tínhamos em 1988. Em termos de divulgação, apoio da mídia, conhecimento público e, principalmente, disponibilidade de recursos financeiros, estamos muito melhores, mas, lamentavelmente, as pessoas atualmente em postos chaves estão mais interessadas em manter suas posições e acumular poderes deixando de lado o mais importante que é o compromisso sério para com o desporto paraolimpico.
Com isso os maiores prejudicados continuam sendo atletas e técnicos.
VANILTON SENATORE

