20 de Maio de 2008

Vinte anos de Seul

Arquivado sob: Ações Políticas, Artigo — admin @ 16:46

Meus caros amigos,

Para o movimento paraolimpico brasileiro o ano de 2008 representa um marco histórico que merece e precisa ser comemorado. Foram nos Jogos Paraolimpicos de Seul em 1988, há exatos 20 anos, que tivemos a primeira participação brasileira com uma delegação única representando esse segmento esportivo do nosso país. Os atletas, técnicos e dirigentes que tiveram a honra e a felicidade de viver essa emoção sabem que muito do que conseguiu em 1988 somente foi possível pela visão de uma jovem que abraçava com muita garra a defesa dos direitos das pessoas portadoras de deficiência. TERESA COSTA D’AMARAL, a época Coordenadora da CORDE, acreditou no projeto que lhe foi apresentado, deu forças ao mesmo e conseguiu com o grande prestígio e o apoio que desfrutava junto ao Governo Sarney contribuir de forma decisiva no desafio de levar a equipe brasileira a Seul.

Lembro com emoção quando no dia 11 de agosto de 1988, em cerimônia memorável e bastante concorrida realizada no Salão Nobre do Palácio do Itamaraty no Rio de Janeiro, apresentamos o projeto de participação brasileira para autoridades, esportistas famosos, empresas e para a imprensa especializada. Nesse dia também lançamos oficialmente o projeto de constituição do Comitê Paraolimpico Brasileiro que, sete anos após, em 1995 viria a ser oficialmente fundado. A repercussão da festa ficou gravada na memória de todos aqueles que lá estiveram. Foi gratificante ver nossos para-atletas sendo homenageados por grandes astros do esporte nacional, muitos deles se preparando para irem aos Jogos Olímpicos de Seul, que estiveram conosco. Presentes, entre outros, ANA RICHA do Voleibol, ROBSON CAETANO do Atletismo, MAGIC PAULA do Basquetebol, ROBERTO DINAMITE, ídolo do futebol, nosso querido e saudoso JOÃO CARLOS DE OLIVEIRA, JOÃO DO PULO. Com alegria relembro ainda a edição nº. 01 da revista TOQUE A TOQUE editada pela ABRADECAR que publicou belíssima matéria com fotos da grande festa.

Esse impulso dado ao movimento somado aos bons resultados alcançados por nossa equipe em Seul ajudou a ficar menos difícil a continuidade do projeto paraolimpico brasileiro. Entre as boas conseqüências desse trabalho inicial apoiado pela CORDE na figura impar de sua coordenadora Teresa Amaral, conseguimos, entre outras coisas, na proposta de criação SEDES/PR - Secretaria de Desportos da Presidência da República em 1990, que fosse inserido em sua estrutura o DEPED - Departamento de Desportos para Pessoas Portadoras de Deficiência, que tive o orgulho e o privilégio de ser o Diretor.

Com a ajuda dos Secretários ZICO e depois BERNARD, pudemos repetir o trabalho para os Jogos de Barcelona em 1992 e deixar ainda mais sedimentado o caminho para a criação formal do CPB.

Muitas outras pessoas foram e continuam sendo importantes nessa história. Gostaria de homenagear a todos citando apenas o nome de um que não podemos, em nenhum momento por questão de justiça e decência, esquecer do que representou a sua inestimável colaboração: JOSÉ GOMES BLANCO. Amigo, parceiro, bravo guerreiro da nossa causa que a sua memória seja perpetuada no movimento paraolimpico brasileiro.

Certamente podemos dizer que hoje a situação é muito melhor do que tínhamos em 1988. Em termos de divulgação, apoio da mídia, conhecimento público e, principalmente, disponibilidade de recursos financeiros, estamos muito melhores, mas, lamentavelmente, as pessoas atualmente em postos chaves estão mais interessadas em manter suas posições e acumular poderes deixando de lado o mais importante que é o compromisso sério para com o desporto paraolimpico.

Com isso os maiores prejudicados continuam sendo atletas e técnicos.

VANILTON SENATORE

Resgatando parte da história “Seul 20 Anos”

Arquivado sob: Ações Políticas, Artigo — admin @ 16:44

Luiz Claudio Pereira *

Claro que há controvérsia, mas a circunstância de eu ser conhecedor de alguns fatos, de ter vivido algumas épocas, me obriga a relatar, até porque a nossa história precisa ser dita, escrita, para melhor ser difundida.

Em 1982 o Brasil ousa levar para o exterior uma delegação de atletismo composta, na sua maioria, por atletas com deficiências mais severas. Era o campeonato Parapan-Americano, na cidade de Halifax, no Canadá, comandado pela grande e extraordinária Sandra Perez . O resultado surpreendeu a todos: foram 14 pessoas na ida e 28 medalhas na bagagem na volta - uma proporção de duas medalhas por pessoa. A partir desse momento, todas as viagens passaram a ser integradas por atletas com deficiências mais severas, além das viagens não serem mais uma prerrogativa somente da modalidade de basquete. Enfim, o atletismo conquistou seu espaço, levou consigo também outras modalidades, como natação, halterofilismo, além de outras.

Ganhamos força, visibilidade, e não foram somente as modalidades que cresceram. As instituições dirigentes do desporto paraolímpico também cresceram. Já por conta dos Jogos Paraolímpicos de Seul, na Coréia, em 1988, foi necessário juntar as ações das entidades nacionais, transformando todos os esforços em uma única ação. Esse esforço foi realizado com a liderança de Teresa Amaral e Vanilton Senatore, ambos então trabalhando na CORDE, que reuniram recursos e apoios para viabilizar a nossa participação em Seul. Logo, penso que neste momento surge, não de direito, mas de fato, o Comitê Paraolímpico Brasileiro. Os representantes da ABDA, ABDC, ANDE e ABDEM debateram a criação do NPC do país. Numa decisão conjunta, somente em 9 de fevereiro de 1995 foi homologado e registrado como personalidade jurídica o Comitê Paraolímpico Brasileiro-CPB, com sede na cidade de Niterói, RJ. João Batista de Carvalho e Silva foi indicado para ser o primeiro presidente da entidade, isso já sabido por todos. Como podemos observar, existia uma idéia, uma ação, uma mobilização. Porque não um registro, um muito obrigado, a essas duas pessoas que nos ajudaram definitivamente a garantir, com seus esforços pessoais e muita determinação, atuaram de forma decisiva para que conseguíssemos chegar ao que somos e temos hoje. Valeu Teresa Amaral e Vanilton Senatore! Parabéns Seul, por seus vinte anos completados em 2008.

* Ex-atleta parapan-americano, mundial e paraolímpico.

8 de Maio de 2008

Debate sobre a Convenção da ONU

Arquivado sob: Comunicação, Ações Políticas, Notícia — admin @ 12:41

Luiz Cláudio Pereira participou de mesa-redonda na Rádio MEC, em 02/05/2008

(Clique aqui e ouça a entrevista no site do IBDD)

6 de Maio de 2008

Isso é que é vida, quer dizer, manifestação!

Arquivado sob: Comunicação, Ações Políticas, Notícia — admin @ 15:39

Dia 3 no Posto 9 A - Dia 3 no Posto 9 A

E depois ainda dizem que o Rio está deixando de ser a Cidade Maravilhosa! Em que outro lugar do mundo se faz uma manifestação política como a que fizemos no dia 3 de maio? Muito sol, mar, água de coco gelada e firmeza ideológica, é claro! Na foto acima, que registra um momento de grande mobilização em torno da causa, no sentido horário, Ana Cláudia Monteiro, Andrei Bastos, Regina Cohen, Luiz Cláudio Pereira, Marcia de Almeida, Patricia Almeida e Claudia Grabois

Comdef-Rio na Câmara Municipal

Ana Cláudia Monteiro, representante do IBDD, é empossada como conselheira

No dia 30 de abril, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, foram empossados os novos membros do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Comdef-Rio), na primeira vez em que ele é paritário, para um mandato de dois anos. A gerente de Apoio à Pessoa do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD), Ana Cláudia Monteiro, é a titular da área de múltiplas deficiências. A superintendente da ONG, Teresa Costa d’Amaral, o assessor da superintendência Luiz Cláudio Pereira, o assessor de Comunicação Andrei Bastos, que é também suplente de Ana Cláudia no Conselho, o gerente de Defesa de Direitos Alexandre Gaschi, o sociólogo João Carlos Farias e muitos outros integrantes do IBDD marcaram presença na posse. O vereador Márcio Pacheco também teve uma participação marcante.

Ana Cláudia Monteiro seguiu à risca o ditado ‘A brevidade é uma bênção’. Sem fazer um discurso longo, que poderia causar bocejos, a unânime Ana Cláudia, pois foi eleita com os votos de todas as instituições da sociedade civil, falou da importância do Comdef. “É a primeira vez que a sociedade civil consegue se organizar, em sete anos. É um momento histórico”, afirmou a integrante do novo Conselho, que destacou um detalhe muito importante: “É preciso lembrar a necessária importância dos representantes da sociedade civil no Comdef”, finalizou.

O vereador Márcio Pacheco corroborou as palavras de Ana Cláudia Monteiro: “As instituições se fazem representar em pé de igualdade e de forma uníssona. Esse é um momento ímpar. Peço a voz da sociedade no Conselho, a representação desta sociedade civil. Será honroso se a sociedade for a primeira voz no Comdef”, disse o político do ano, segundo o Prêmio Re(ha)bilita Rio. Ele foi muito aplaudido.

O Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD) levou faixas que mostravam o que pensa o segmento, com os dizeres ‘O conselho somos nós!’ e ‘Conselho sem poder é brincadeira!’.

A secretária municipal da Pessoa com Pessoa com Deficiência, Lêda Azevedo, fez um discurso – no mínimo – polêmico ao comentar que o Comdef tem paridade, assim como o Conselho dos Negros. Além disso, alguns políticos presentes à posse disseram que o Rio de Janeiro é uma cidade muito acessível aos deficientes. O assessor da superintendência Luiz Cláudio pediu a palavra e deu a resposta. “O Rio é a pior cidade na questão da acessibilidade. Veja a falta de um número maior de ônibus adaptados. Tomara que um dia as pessoas com deficiência tenham o direito de serem felizes. É preciso trabalhar a diferença de maneira mais consciente”, disse Luiz, que foi ovacionado.

Estavam presentes à mesa da Câmara Municipal: o vereador Márcio Pacheco, a secretária Lêda Azevedo, o subsecretário da Pessoa com Deficiência, Carlos Alberto Rocha, o vereador Paulo Cerri, a representante do IBDD no Comdef, Ana Cláudia Monteiro, Alex Araújo e Geraldo Nogueira. Os vereadores Sami Jorge e Wanderley Mariz compareceram à posse do Comdef.

3 de Maio de 2008

Entidades protestam contra não-ratificação

Arquivado sob: Comunicação, Ações Políticas, Notícia — admin @ 19:30

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O sol e o interesse do público foram as boas surpresas no primeiro dia de coleta de assinaturas

Agência Brasil, 03/05/2008:

Entidades protestam contra não-ratificação pelo Brasil de convenção dos direitos dos deficientes

Thaís Leitão
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Organizações de defesa dos direitos das pessoas com deficiência promovem desde o início da manhã de hoje (3), em Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro, um ato de protesto contra a não- ratificação pelo Brasil da Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, da Organização das Nações Unidas (ONU). O documento entra em vigor hoje (3) em todo o mundo.

Durante todo o dia, os organizadores recolhem assinaturas para encaminhar, nas próximas semanas, uma nota de pesar aos parlamentares brasileiros. Ações semelhantes ocorrem em outras capitais do país, como São Paulo e Belo Horizonte.

Segundo Andrei Bastos, assessor de comunicação do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD), a demora é decorrência da falta de vontade política e representa um atraso para o país.

“O Brasil vive uma contradição terrível. Ele tem uma legislação sobre esse tema considerada por inúmeros institutos internacionais como a melhor das Américas. No entanto, é um dos últimos no cumprimento dessas leis. Isso ocorre porque só temos que prestar contas a nós mesmos. Com a convenção, os países passam a prestar contas ao resto do mundo. A ratificação garantiria maior força política às pessoas com deficiência”, afirmou.

De acordo com Bastos, o principal avanço proporcionado pelo documento é a mudança na forma histórica de se enxergar as pessoas com deficiência.

“Essa questão sempre foi entendida como sendo médica, o que não corresponde à realidade, porque deficiência não é sinônimo de doença. A convenção traz a percepção de que se trata de uma questão social, de direitos e de cidadania. E o texto legal muda essa postura assistencialista que sempre existiu”, explicou.

Discutido durante quatro anos, o documento foi aprovado por unanimidade pelos 192 países membros da ONU em 13 de dezembro de 2006. O Brasil assinou a convenção há um ano, mas sua adoção ainda depende de aprovação pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal e de sanção presidencial.

Depois disso, o país será obrigado a eliminar leis, costumes e práticas que representem discriminação contra as pessoas com deficiência. Uma comissão independente, formada por especialistas, deve analisar os avanços obtidos pelos países que ratificaram a convenção.

A ratificação imediata do texto da ONU também foi cobrada durante a 1ª Conferência Nacional da Juventude, na última quarta-feira (30). O tema foi incluído como uma das 22 propostas aprovadas durante o encontro, em Brasília.

IBDD | Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência - (21) 3235-9290