7 de Junho de 2008

1° Fórum da Zona Oeste: “Cidadania, Dignidade e as Pessoas Deficientes”

Arquivado sob: Comunicação, Notícia — admin @ 11:23

VENHA PARTICIPAR DESTE MOMENTO DE CIDADANIA, ONDE SERÃO ABORDADOS OS TEMAS: ACESSIBILIDADE, POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE, EDUCAÇÃO E REABILITAÇÃO PARA AS PESSOAS DEFICIENTES.

LOCAL: SALÃO DA IGREJA DE SANTANA, EM CAMPO GRANDE, PRÓXIMO AO WEST SHOPPING.

DIA: 14/06/2008 – 09:00 HORAS.

PARTICIPAÇÃO DO PRESIDENTE DA COMISSÃO MUNICIPAL DE DEFESA DOS DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA.

Com certeza, perto de você existe um familiar, um amigo com algum tipo de deficiência ou um profissional interessado por esse segmento. Convide-os a participar desse evento.

Maiores informações na secretaria da paróquia ou pelos telefones: 8755-2149 / 8717-4478

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Colaboração: Tânia Lopes

Surdos podem dirigir. Ser engenheiros da Petrobras, não

Arquivado sob: Comunicação, Artigo — admin @ 00:05

ROSE BAHIANA

Os surdos estão aptos para dirigir automóveis nos centros urbanos. Mas não para trabalhar na Petrobras. Não em cargos que exijam nível superior, como engenheiros de petróleo. A Petrobras baseia a decisão numa interpretação livre do artigo 38 do decreto 3298/99, que determinou o sistema de cotas para deficientes em concursos. O artigo desobriga as empresas públicas a instituir os 5% de cotas, quando o cargo exigir “aptidão plena” do candidato. É o bastante para alguns burocratas decretarem que surdo não está apto para ocupar uma das 251 vagas de engenheiro de petróleo.

Não adianta burlar a proibição e fazer a prova em igualdade de condições. Será barrado pela perícia médica. O problema é vivido por um engenheiro químico inscrito para o próximo concurso da estatal. Mesmo com um currículo que inclui parte do curso de Astronomia, a conclusão do curso de Engenharia Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e estágio no Cenpes, ele só deve pretender cargo compatível com a sua condição de surdo: técnico de nível inferior.

O engenheiro passou por uma operação de implante coclear (técnica avançada de combate à surdez) com recursos da própria Petrobras, através da qual ganhou níveis aceitáveis de audição. Quando realizada em crianças, as transformam em ouvintes. Mas, mesmo antes disso, já falava e se comunicava por palavras. Caso contrário, não se formaria pela UFRJ. Há anos atrás, quando ainda era bebê, o médico que diagnosticou sua surdez disse que o máximo que seus pais poderiam esperar dele era a ocupação de lixeiro. Nem isso é possível: tem qualificação demais para o posto. Mas, num país tão pródigo em oferecer recompensas e caridades, tais como o Bolsa-Ditadura e o Bolsa-Família, talvez um bom caminho fosse reivindicar o Bolsa-Discriminação.

6 de Junho de 2008

Complicada Arte de Ver

Arquivado sob: Comunicação, Artigo — admin @ 08:15

RUBEM ALVES

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: ‘Acho que estou ficando louca’. Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. ‘Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões… Agora, tudo o que vejo me causa espanto.’

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as ‘Odes Elementales’, de Pablo Neruda. Procurei a ‘Ode à Cebola’ e lhe disse: ‘Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: ‘Rosa de água com escamas de cristal’. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta… Os poetas ensinam a ver’.

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou: ‘A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê’. Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: ‘Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra’. Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. ‘Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios’, escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada ’satori’, a abertura do ‘terceiro olho’. Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: ‘Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram’.

Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, ’seus olhos se abriram’. Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em ‘Operário em Construção’: ‘De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa - garrafa, prato, facão - era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção’.

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam… Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: ‘A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas’.

Por isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver - eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar ‘olhos vagabundos’…

* O texto acima foi extraído da seção ‘Sinapse’, jornal ‘Folha de S.Paulo’, versão on line, publicado em 26/10/2004 / Grupo de discussão na internet Além da Visão

4 de Junho de 2008

A visita de Maria do Céu

Arquivado sob: Comunicação, Notícia — admin @ 16:53

Maria do C  u A - Maria do C  u A
Maria do Céu, presidente da Adefap, na sua visita ao IBDD

A visita de Maria do Céu
Representante de ONG de Macapá conhece o trabalho do IBDD

PAULO VITOR FERREIRA

Um sorriso celestial. Esta é a característica mais aparente da cadeirante com seqüelas de poliomielite, Maria do Céu, presidente da Adefap (Associação dos Deficientes Físicos do Amapá). Paraense criada em Macapá, ela gostou da sugestão do senador José Sarney, integrante dos Conselhos Consultivo e Fiscal do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência, e visitou o IBDD na semana passada. Acompanhada pelo sociólogo João Carlos Farias, do Céu, como prefere ser chamada, observou o trabalho de todos no Instituto, acompanhou de perto as atividades de cada setor da ONG. Maria aproveitou para falar de algumas dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência física.

“Falta acessibilidade em Macapá. A cidade não foi construída para os deficientes físicos, cadeirantes ou não. A Adefap não tem renda própria. Porém, a prefeitura de lá e o governo do Amapá estão nos apoiando e aos poucos conseguimos pequenas, mas importantes vitórias”, afirmou do Céu, que passa por mil e uma dificuldades. “O governo nos ofereceu uma casa, mas o Ministério Público vetou as atividades da ONG no local. Estamos parados há um ano por causa desse impasse”, disse.

Orgulhosa por ter carregado a tocha parapan-americana em Macapá, quando lutava contra um câncer de útero (batalha vencida por ela após a quimioterapia), teve até a idéia de criar um time de Futebol de Sete ao descobrir através da equipe do IBDD, comandada pelo técnico da seleção brasileira da modalidade, Paulo Cruz, que as pessoas com paralisia cerebral – em grande parte dos casos – possuem ‘apenas’ comprometimento físico e não intelectual.

“Eu pensava que o PC era deficiente mental. Vi que não é. Estou feliz com essa descoberta”, disse do Céu, mostrando humildade e alegria por aprender. Mesmo sem conhecer os verdadeiros comprometimentos desse tipo de deficiência, a Adefap ajudou um paralisado cerebral, aprovado em concurso público, a ser aceito como professor de matemática:

“Ele foi aprovado com louvor e depois disseram que era inapto ao trabalho. A Justiça decidiu a favor dele. Fiquei emocionada com esse fato.”

A Adefap já tem uma equipe de basquete de cadeirantes. Apesar de o time ter participado dos três últimos regionais e do Amapá ter sediado a competição em 2007, as dificuldades continuam imensas. “Nossas cadeiras estão amontoadas em um banheiro da faculdade pública da cidade, que tenta nos apoiar, cedendo espaço para os treinos. Tentamos também nos preparar para competições futuras em ginásios de colégios”, disse.

Mesmo com todos esses problemas, do Céu vê uma luz no fim do túnel. “Lutamos por transporte e acessibilidade arquitetônica: prédios de órgãos públicos e calçadas adaptadas para os cadeirantes. A situação melhora aos poucos. Veja que 12 empresas de ônibus estão em processo de adaptação dos veículos. Além disso, as secretarias da Prefeitura capacitam seus funcionários para o atendimento aos surdos e cegos. Nosso treinador de basquete foi cedido pelo Governo estadual. Mudanças já acontecem”, verbalizou do Céu, esperançosa em um futuro melhor.

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